http://revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/issue/feed Revista Científica da UEM: Série Letras e Ciências Sociais 2021-07-22T14:02:53+02:00 Aidate Mussagy rc.uem@uem.ac.mz Open Journal Systems <p>A Série Letras e Ciências Sociais é uma série de publicação da Revista Científica da UEM (RC-UEM), publicada pela Unidade Editorial da Revista Científica da Universidade Eduardo Mondlane. É de <em>Acesso Livre, </em>bianual e tem como principal objectivo difundir os resultados das actividades científicas realizadas por docentes e investigadores da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e de outras instituições de ensino superior e de investigação na área das Letras e Ciências Sociais<strong>.<br />ISSN: 2307-3918<br /></strong></p> http://revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/article/view/137 EM BUSCA DE UM MODELO EFICAZ PARA A FORMAÇÃO DE TRADUTORES E INTÉRPRETES EM MOÇAMBIQUE 2021-07-22T12:10:27+02:00 Armando Adriano Magaia armando.a.magaia@uem.ac.mz <p>A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) é a única instituição do ensino superior que forma licenciados em tradução e interpretação em Moçambique. Contudo, carece de um modelo eficaz para o desenvolvimento da competência tradutória e interpretativa. Portanto, este estudo investiga um modelo prático para o desenho de um currículo de licenciatura, conducente a uma formação eficaz de tradutores e intérpretes moçambicanos. O estudo seguiu a metodologia de pesquisa-acção visto permitir uma melhor compreensão e melhoria dos processos de formação (CRAVO e NEVES, 2007). Foram usadas três ferramentas de recolha de dados para gerar dados qualitativos e quantitativos de 123 participantes, nomeadamente: (i) um inquérito, (ii) um teste de tradução para o inglês e (iii) uma amostra de 18 traduções arquivadas de antigos estudantes produzidas em português. Os resultados do inquérito sugerem que é preciso reformar o currículo actual para torná-lo mais conducente ao desenvolvimento da competência tradutória e interpretativa. Outrossim, os resultados da análise macrotextual e microtextual mostram que, embora os estudantes da UEM produzam traduções aceitáveis do inglês para o português, a qualidade da sua tradução inversa, em geral, é fraca. A solução que se propõe seria um novo modelo integrado de desenvolvimento da competência tradutória e interpretativa assente em quatro pilares, nomeadamente: competência comunicativa, cultura geral, competência estratégica e prestação de serviços. Este modelo orientaria o desenho de um currículo que permita que os estudantes sejam formados como tradutores e intérpretes num único programa, onde a prática de tradução do inglês para o português e vice-versa é obrigatória.</p> 2021-07-22T00:00:00+02:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Científica da UEM: Série Letras e Ciências Sociais http://revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/article/view/138 MR. MALULEKE & CO., DE EDUARDO MONDLANE, E A POLÉMICA DO ÁLCOOL 2021-07-22T12:24:38+02:00 Elídio Nhamona elidionhamona@yahoo.com.br <p>O presente artigo tem com objectivo analisar as estruturas da peça de teatro <em>Mr. Maluleke &amp; Co</em>., de Eduardo Mondlane, associadas às circunstâncias históricas. Partimos do pressuposto de que a peça de um acto foi o meio através do qual o escritor, protestante, opinou sobre a polémica do álcool. A grande polémica suscitada pela questão do álcool é melhor apreendida quando interpretada na perspectiva da crítica dialéctica, visto que ela junta no acto de apreciação particularidades literárias, históricas e sociais. Usando o método critico dialético, concluímos que pela reformulação, transformação e combinação de duas tradições, uma oral changana e outra escrita protestante, temos uma peça de teatro com uma estrutura das acções ascendentes. <em>Mr. Maluleke &amp; Co</em>., de Eduardo Mondlane tinha por intuito defender ideias protestantes contra o consumo de álcool, posicionando nas polémicas em torno da questão do álcool das sociedades coloniais na África Austral.</p> 2021-07-22T00:00:00+02:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Científica da UEM: Série Letras e Ciências Sociais http://revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/article/view/139 TRANSLANGUAGING E CROSS-CULTURAL LEARNING NA EDUCAÇÃO BILINGUE EM MOÇAMBIQUE: ANÁLISE SOBRE A PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NA CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO 2021-07-22T12:32:58+02:00 Gervásio Absolone Chambo gervasio.chambo@uem.mz <p>Os níveis de participação e de interacção dos alunos no programa transicional em Moçambique são qualitativamente elevados nas primeiras três classes leccionadas em língua materna. Os alunos e o professor colaboram activamente na construção do conhecimento nas aulas. Contudo, este cenário desaparece quando, o Português (L2) torna-se meio de instrução a partir da 4ª classe. Os alunos não possuem a proficiência em L2 que os possibilite participar activamente na construção do conhecimento nas aulas. Os alunos recorrem às estratégias de <em>safetalk</em> (silêncio, timidez, repetição, coro, voz baixa e murmúrio) como estratégia de participação nas aulas (CHICK, 1996). O ensino-aprendizagem torna-se inflexível e monótono. Com base na pesquisa-acção participativa, o estudo discute o impacto linguístico e pedagógico da <em>translanguaging</em> (GARCÍA, 2009; GARCÍA e WEI, 2014) e de <em>cross-cultural learning/ collateral learning</em> (JEGEDE, 1995; JEGEDE, 1999; JEGEDE e AIKENHEAD, 1999; AIKENHEAD e JEGEDE, 1999) como proposta pedagógica para o ensino-aprendizagem da ciência nas classes de pós-transição. Os resultados deste estudo mostram que a incorporação de recursos linguísticos e os fundos de conhecimentos no ensino da ciência promovem a participação qualitativa dos alunos nas aulas, desenvolve a proficiência e as habilidades académicas em ambas línguas e flexibiliza e dinamiza o ensino-aprendizagem.</p> 2021-07-22T00:00:00+02:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Científica da UEM: Série Letras e Ciências Sociais http://revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/article/view/140 ORDENAMENTO LINGUÍSTICO E CONCEPÇÃO DE CATEGORIAS LINGUÍSTICAS: o caso das línguas bantu no sul de Moçambique 2021-07-22T12:39:57+02:00 Gregório Firmino gregoriofirmino@gmail.com <p>A conquista e administração de territórios coloniais, na sequência da Conferência de Berlim, impôs necessidades de gestão, o que pressupôs o estabelecimento de uma certa ordem e consequente concepção de categorias para a apreensão da realidade dos referidos espaços territoriais. Neste sentido, diversos actores coloniais (missionários, administradores, exploradores, aventureiros, etc.) procuraram apreender a realidade social dos territórios coloniais, projectando uma ordem social, através da qual se dava uma configuração aos espaços coloniais. Um exemplo disso é a ordem social criada com a definição de categorias (etno)-linguísticas. O artigo tem o objectivo de rever o processo de ordenamento linguístico em Moçambique, tendo em conta a (re)criação de categorias (etno)-linguísticas, com especial incidência na região sul do país. Para o efeito, recorre-se a uma junção de pesquisas documental e bibliográfica. Partindo de abordagens percursoras de missionários e académicos, ou apelando a trabalhos recentes de estudiosos nacionais, serão apresentados elementos que revelam o processo de mapeamento das línguas autóctones, comummente reconhecidas no sul do país. Este processo começa pelas caracterizações e classificações iniciais, feitas pelos primeiros colonizadores europeus, principalmente missionários, que identificaram e configuraram línguas para uso no processo de evangelização. Com a ocupação colonial e sofisticação do instrumentário epistemológico, a que se associa o proselitismo religioso, intensificou-se o trabalho de categorização e mapeamento linguístico, a medida que as categorias linguísicas, como representações da paisagem linguística, foram concebidas e consolidadas. No artigo aponta-se que estas construções linguísticas ainda têm impacto no ordenamento das sociedades actuais, como se demonstra com o caso do sul de Moçambique.</p> 2021-07-22T00:00:00+02:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Científica da UEM: Série Letras e Ciências Sociais http://revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/article/view/141 O PAPEL DOS CONTOS ORAIS “O RAPAZ QUE RAPTOU UMA RAPARIGA” E “A RAPARIGA DE MWALA WA SENA” NA TRANSMISSÃO DE VALORES SOCIOCULTURAIS: entre a preservação e a ruptura 2021-07-22T12:53:47+02:00 Lurdes da Balbina Vidigal Rodrigues da Silva Silva luro_rodrigues@yahoo.com.br Abudo Machude Machude@uem.mz <p>A oralidade é o principal veículo de transmissão de conhecimento nas sociedades ágrafas. É através da palavra que se organiza o conhecimento e a compreensão de valores socioculturais, religiosos, normas e comportamentos das referidas sociedades. Sendo a palavra o principal veículo de transmissão de conhecimentos e valores, existe toda uma literatura por ela produzida e que está presente em todas as esferas destas sociedades, relatando e descrevendo os aspectos essenciais da vida destas mesmas comunidades, incluindo os desafios que ameaçam a continuidade de valores dominantes do grupo. Dentre esta vasta literatura oral podemos destacar: o conto, os provérbios, as adivinhas, a poesia e o canto orais. Neste âmbito, partindo de uma análise comparativa de dois textos orais sobre o casamento na cultura Sena, a presente comunicação tem como objectivo não só reafirmar a importância desta literatura, demonstrando o papel que o conto oral desempenha na preservação de valores culturais do grupo etno-linguístico Sena, como também explicar as suas tendências de ruptura.</p> 2021-07-22T00:00:00+02:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Científica da UEM: Série Letras e Ciências Sociais http://revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/article/view/142 COMPETÊNCIAS DE LITERACIA: densidade lexical nos textos escritos de alunos da 10ª e 12ª classes 2021-07-22T13:05:52+02:00 Manuel Chemane manuelricardo551@gmail.com Gildo Lanziuane Lanziuane@uem.mz <p>Este estudo surge no âmbito do desenvolvimento das Competências de Literacia na escola, dada a sua relevância para acompanhar a evolução da produção escrita dos alunos. Esta pesquisa, conduzida em 2017, parte do pressuposto de que os valores da densidade lexical nos textos do registo argumentativo aumentam conforme o aluno avança nos anos escolares e tem como objectivo estabelecer uma comparação da produção escrita dos alunos da 10ª e 12ª classes relativamente à densidade lexical. O estudo partiu da seguinte questão: qual é o índice de densidade lexical nos textos escritos produzidos por alunos da 10ª e 12ª classes de uma escola secundária moçambicana? Os dados para análise são 10 textos produzidos por 10 alunos das duas classes, do período diurno, em contexto de sala de aulas, na disciplina de Português. Usou-se a fórmula da <em>densidade lexical</em> proposta por Ure (1971) como categoria de análise. Os resultados deste estudo mostram que os alunos da 10ª classe apresentam maior percentagem de densidade lexical comparativamente com os alunos da 12ª classe. As conclusões do estudo revelam que não há mudanças positivas da densidade lexical global quando relacionada com o progresso escolar, o que refuta a nossa hipótese de pesquisa. No entanto, tomadas as medidas por classes de palavras, identificou-se uma correlação positiva da densidade adverbial e verbal com a progressão escolar, o que parece justificar o alargamento da amostra deste estudo de modo a confirmar estes resultados quando aplicados a uma base de dados mais consistente e representativa.</p> 2021-07-22T00:00:00+02:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Científica da UEM: Série Letras e Ciências Sociais http://revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/article/view/143 O HOMO ECRANIS EM “SANGUE DA AVÓ, MANCHANDO A ALCATIFA” DE MIA COUTO 2021-07-22T13:18:24+02:00 Osvaldo das Neves dasnevessoares@gmail.com <p>Desde a Modernidade que o Ocidente se vem notabilizando com invenções e inovações nos campos da ciência e da técnica. O uso massivo da tela, por exemplo, permitiu que a humanidade aperfeiçoasse mecanismos sofisticados e universais de comunicação, e o seu impacto nas estruturas sociais tem já merecido a reflexão de filósofos da contemporaneidade. Gilles Lipovetsky (2011) propõe o conceito de hipermodernidade para descrição do actual estado da cultura global, em que o <em>Homo sapiens</em> se vai metamorfoseando em <em>Homo ecranis</em>. Esta reflexão filosófica pode ser ilustrada numa crónica literária intitulada “Sangue da Avó, manchando a alcatifa”, da autoria de Mia Couto. Tomando como base o método de análise intertextual proposto por Júlia Kristeva (1969), que admite o diálogo entre o texto literário e outros textos (método bibliográfico, portanto), a nossa comunicação tem por objectivo desenvolver uma reflexão em torno das personagens da crónica em alusão à luz do conceito lipovetskiano de hipermodernidade. Como resultados, esperamos demonstrar que o uso massivo e excessivo da tela tem reflexos no espaço social percorrido pelas personagens na crónica, para além de prenunciar a gestação dum novo modelo cultural próprio do séc. XXI.</p> 2021-07-22T00:00:00+02:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Científica da UEM: Série Letras e Ciências Sociais http://revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/article/view/144 ANÁLISE DA MODALIDADE DE ENSINO BILINGUE PARA A EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS SURDAS EM MOÇAMBIQUE 2021-07-22T13:45:05+02:00 Samuel Chumane scchumanesamuel@gmail.com Carla Maria Ataíde Maciel Maciel@uem.mz <p>Neste artigo apresentamos uma reflexão sobre a modalidade do ensino bilingue (EB) recentemente introduzida em Moçambique para a educação de crianças surdas. Nesta modalidade, o ensino é veiculado em duas línguas, o Português e a Língua de Sinais de Moçambicana (LSM). Todavia, o uso das duas línguas veiculares de ensino parece-nos problemática, porque não se teve em conta questões linguístico-pedagógicas, culturais e de identidade que justificam a utilização da Língua Materna (L1) como meio de instrução. A nossa reflexão tem por base uma pesquisa qualitativa realizada na cidade de Maputo. A pesquisa compreendeu várias fases: primeiro, realizámos uma análise documental de cunho interpretativo de documentos legais que regulam a educação de crianças surdas no mundo em geral e, em Moçambique, em particular; e depois, efectuámos uma pesquisa de campo, na qual recolhemos dados a partir da observação de crianças surdas no contexto familiar e comunitário e também da realização de entrevistas a pais/encarregados de educação de crianças que frequentam a modalidade de ensino referida. Os resultados da nossa pesquisa indicam que as crianças surdas entram para a escola com competências linguísticas menos desenvolvidas na língua de sinais (LS) do que em Português. Nessa base, apresentamos algumas propostas que poderão ajudar as entidades do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) a introduzir melhorias qualitativas no subsistema de educação formal de crianças surdas.</p> 2021-07-22T00:00:00+02:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Científica da UEM: Série Letras e Ciências Sociais http://revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/article/view/145 A AFRICATIZAÇÃO DAS CONSOANTES LABIAIS VOZEADAS /b, v/ NO CHANGANA: uma evidência do Princípio de Contorno Obrigatório no Bantu 2021-07-22T13:56:16+02:00 Armindo Ngunga Ngunga@uem.mz Célia Adriano Cossa cliacossa@gmail.com <p>À luz da teoria de fonologia autossegmental (Leben, 1973; 2006; 2011; Goldsmith, 1976; 2004; Odden, 1986) e da geometria de traços (Clements e Hume, 1995), este artigo analisa e descreve a africatização das consoantes labiais vozeadas no Changana como resultado do Princípio de Contorno Obrigatório (PCO). Descreve os processos fonológicos que culminam com a transformação destes sons labiais em africada lábio-alveolar [b<sup>z</sup>] durante os processos derivacionais de diminutivização e locativização de nomes. Nestes contextos, as vogais arredondadas em posição final de palavra e as vogais iniciais dos sufixos derivativos, (/a/) do sufixo diminutivo e a vogal inicial do sufixo locativo formam hiatos, pondo em causa o PCO que proíbe a adjacência de segmentos com traços idênticos. A resolução destes hiatos resulta na transformação das vogais arredondadas em posição final de palavras em semivogal lábio-velar. Através da propagação e assimilação de traços, esta lábio-velar altera as consoantes labiais vozeadas que constituem ataques da sílaba final da palavra, transformando-as em africada lábio-alveolar [b<sup>z</sup>]. Estes processos são uma prova da eficácia do PCO, o que contraria as tentativas de sua refutação (ODDEN, 1986) que motivaram o presente estudo. Os dados foram colhidos através do método filológico combinado com a introspecção entrevistas a 3 falantes nativos de três variantes do Changana, respectivamente, residentes no Distrito de Manjacaze.</p> 2021-07-22T00:00:00+02:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Científica da UEM: Série Letras e Ciências Sociais http://revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/article/view/136 Editorial 2021-07-22T11:49:26+02:00 Aidate Mussagy revista@uem.ac.mz Manuel Mangue mangue@uem.mz 2021-07-22T00:00:00+02:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Científica da UEM: Série Letras e Ciências Sociais