Classes e prefixos nominais em Bantu
DOI:
https://doi.org/10.70778/ty6mec74Palavras-chave:
Classes e prefixos nominais em Bantu, Léxico, Nomes silenciososResumo
As línguas Bantu exibem uma estrutura do verbo complexa, não só por causa das suas posições disponíveis a receber os constituintes internos do verbo, mas, sobretudo, pela sua relação com a sintaxe. Mais recentemente, linguistas viraram também as suas atenções à (re)análise às classes e prefixos nominais. A literatura tende a considerar, usando uma análise funcionalista dos seus constituintes, que o prefixo nominal licencia informação gramatical de género (singular e plural), seguindo assim a linha dos pioneiros nestes estudos. Por estas línguas apresentarem um número de classes nominais que varia entre 1 e 10, e sendo interpretadas, grosso modo, como marcando a oposição singular/plural, o que é considerado redutor para as línguas que têm uma morfologia verbal tão complexa. Hipóteses vão sugerindo que as classes e prefixos nominais codificam informação lexical (Bleek, 1862). Desse modo, sugere-se que os prefixos nominais sejam reanalisados como uma derivação, no sentido tradicional do termo e não uma flexão como commumente têm vindo a ser classificados. Com o intuito de testar essas hipóteses, através de uma abordagem comparativa, apoiando por entrevistas, filologia e introspecção, o presente artigo argumenta a favor da codificação lexical das classes e prefixos nominais em Changana (S53), corroborando com a hipótese avançada por Taraldsen et al. (2018) da reanálise dos prefixos nominais em nomes silenciosos.
Referências
BLEEK, W.H. A Comparative Grammar of South African Languages. Cape Town and London: J.C. Juta and Trübner & Co. 1862.
BLEEK, W.H. A Comparative of grammar of South African Languages. London: Trübner & Co.60. Paternoster Row. 1871
BONFIM, F. B.; LANGA, D. Disjoint/conjoint alternation and the low focus position in Xichangana (S53). Colloquium on African Languages and Linguistics (CALL), Liden. 2024
BOTNE, R. Lega (Beya Dialect) (D25). In Nurse, D. E Philippson, G. (Eds). The Bantu Languages. London and New York: Routledge. 2003, p 422 -499.
BRUSCIOTTO, G. Regulae Quaedam pro diffimi Congensium idiomatic faciliori captu ad grammaticae norman redactae. (Grammar of the Congo Languages as spoken two hundred years ago). London: East London Institute for Home and Foreign Missions. 1659.
CLAUÂNE, P. O Comportamento dos objectos pós-verbais em Construções Aplicativas do Changana. Dissertação de Mestrado. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 2023.
DE BLOIS, K.F. The augment in the Bantu languages. In: Africana Linguistica 4, 1970. pp. 85-165; doi : https://doi.org/10.3406/aflin.1970.879 https://www.persee.fr/doc/aflin_2033-8732_1970_num_4_1_879
DEVOS, M. 2004. A Grammar of Makwe. Leiden: Universiteit Leiden.
DOKE, C. M. The Southern Bantu languages. Handbook of African languages. London: Oxford University Press for the International African Institute (IAI). 1954.
GUTHRIE, M. Comparative Bantu: an introduction to the comparative linguistics and prehistory of the Bantu languages, 4 vols. Letchworth UK & Brookfield VT: Gregg International. 1967/71.
KATAMBA, F. Bantu Nominal Morphology. In: NURSE, Derek; PHILLIPPSON, Gérard. The Bantu Languages. London/New York: Routledge, 2003. Pp103-120.
KATUPHA, J. 1991. The grammar of Emakhuwa verbal extensions: An investigation of the role of extension morphemes in derivational Verb morphology and in grammatical relations. London: University of London, 1991.
KATUPHA, J. A Preliminary Description of Sentence Structure in The e-Sáaka Dialect of e-Mákhuwa. (Tese de Mestrado não publicada). London: University of London, 1983.
LANGA, D e VALIAS, T. Extensões verbais em Xizronga (S54): uma análise preliminar das implicações morfossintáticas da combinação das extensões verbais causativa e aplicativa. In. Nhampoca, Ezra; Langa, D e Timbane, A. Descrição Linguística, Educação e Cultura em Contextos Pós-coloniais. Belém-PA: Home Editora. 2022, pp 13-34.
MAHO, J. A Comparative Study of Bantu Languages. (Orientalia et Africana Gothenburgensia 15). Gothenburg: Acta Universitatis Gothenburgensis. 1999.
MEEUSSEN, A. E. Bantu grammatical reconstructions. In: Africana linguistica III. Annalen van het Koninklijk Museum voor Midden-Afrika, menselijke wetenschappen, n 61. Tervuren. 1967, p 79-121.
MEINHOF, C. Introduction to the Phonology of the Bantu Languages. Berlim: Dretrich Reimer. 1932.
MUTAKA, N. M.; Tamanji, Pius Ngwa. An introduction to African linguistics. Lincom handbooks in linguistics, n 16. Munich: Lincom Europa. 2000.
NGUNGA, A. Class 5 allomorphy in Ciyao. Studies in African Linguistics Volume 26, Number 2, Fall 1997. Pp 165 – 192. View of Class 5 allomorphy in Ciyao (flvc.org) acesso a 31.05.2023
NGUNGA, A. Phonology and Morphology of Ciyao Verbs. New York, Chicago, San Francisco, Toronto, London: Holt, Rinehart and Winston. 2000.
NGUNGA, A. Elementos de Gramática da Língua Yao. Maputo, Imprensa Universitária, 2002.
NGUNGA, Armindo. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. 2004; 2014.
NGUNGA, A; MATHANGWANE, J. Revisiting the study of class 5 in Bantu. Journal of the Linguistics Association of Southern African Development Community [SADC] Universities, v. 4, n. 2, 2015, p. 35-40.
PERREIRA, B. Feature checking and silent nouns in brasilian Portuguese nominal agreement. Estudos Linguísticos e Literários. Nº 77, JAN-JUN|2024, Salvador: pp. 290-315
RIBEIRO, A. Gramática Changana (Tsonga). Kusubi: Marianum Press SSPC. 1965.
SITOE, B. Dicionário Changana-Português. Maputo: Texto Editores, 2011.
TARALDSEN, K. T.; MEDOVÁ, L.T; LANGA, D. “Class prefixes as specifiers in Southern Bantu.” Natural Language & Linguistic Theory 36 (2018): 1339-1394. DOI:10.1007/S11049-017-9394-8.
TORREND, J. A grammar of the language of lower Zambezi. Typographia da Missão de Chupanga, Via Zambézia. 1900
Downloads
Publicado
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2025 Revista Científica da Universidade Eduardo Mondlane, Série: Letras e Ciências Sociais

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.