“Este é o corpo que as máquinas me dão”
hemodiálise e (re) conceptualização do corpo
DOI:
https://doi.org/10.70778/g2y8y318Palavras-chave:
Corporificação, experiência vivida, hemodiálise, Moçambique, tecnologias biomédicasResumo
Tendo como objectivo de pesquisa compreender como a hemodiálise, enquanto tecnologia biomédica, se relaciona com os processos de experiência vivida de pessoas com doença renal crónica, este artigo foi construído no pressuposto de que as tecnologias biomédicas produzem discursos e subjectividades. A pesquisa foi feita com recurso a metodologia qualitativa e ao método etnográfico baseando-se na observação no hospital e em entrevistas etnográficas. Este método e técnicas permitiram-me aceder a fluidez da vida dos participantes e à matriz de significados que constituem o seu quotidiano terapêutico. A pesquisa de campo foi realizada na cidade de Maputo, nos meses de Janeiro a Maio de 2018. Este artigo sugere que (i) a hemodiálise alivia mas também gera sofrimento e produz nos pacientes múltiplas transformações e subjectividades; (ii) ocorre uma (re) conceptualização e (re) significação do corpo, em especial, do rim e do braço. Argumentamos que a experiência vivida no e pelo corpo na relação com o tratamento (hemodiálise) desestabiliza noções de corpo, de corpo íntegro, de normalidade e moralidade, problematiza as fronteiras entre objecto e sujeito. Através de processos de corporificação, os corpos fazem-se e (re) inventam-se no quotidiano terapêutico, transformam-se em entidades híbridas constituídas pela junção do humano e do tecnológico.
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