Vulnerabilidade e impactos do adoecimento
experiências de mulheres com fístula obstétrica em Moçambique
DOI:
https://doi.org/10.70778/vhaayh17Palavras-chave:
Adoecimento, Fístula Obstétrica, Moçambique, vulnerabilidadeResumo
O presente artigo tem por objetivo refletir sobre os impactos da vulnerabilidade, imersos na experiência de adoecimento, no contexto da Fístula Obstétrica em Moçambique. Através das narrativas de mulheres que convivem com a doença, buscamos identificar os sentidos e as estratégias construídas para enfrentar os inúmeros obstáculos, não apenas económicos, mas também sociais e morais. Existem questões transversais que perpassam de modo mais ou menos marcado as suas experiências. Estigma, risco, incerteza, vergonha e maternidade foram alguns dos tópicos recorrentes nas falas, tanto das pacientes, como dos profissionais de saúde, anunciando um amplo campo de sentidos a ser investigado. Os resultados também enfocam aspectos marcantes dos impactos físicos com a perda contínua de urina e as estratégias cotidianas para enfrentar e esconder a doença. As categorias vulnerabilidade e gênero são à base deste trabalho, uma vez que a construção social do conceito de gênero em Moçambique está baseada na submissão das mulheres. Isso, então, acaba influenciando a vulnerabilidade feminina à infecção pelo HIV, à carência no uso de métodos contraceptivos e à falta de poder de decisão em relação à maternidade segura. A busca de uma intersecção demonstra que a componente da vulnerabilidade possui reflexos na constituição do microssistema da Fístula Obstétrica, o que reafirma a importância de se visualizar estas mulheres como constructo do ambiente onde transcorre sua existência. Desta forma, entendemos que uma abordagem etnográfica que leve a sério as especificidades dessas questões pode contribuir para a maneira de pensar a saúde e a doença em Moçambique.
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Direitos de Autor (c) 2021 Revista Científica da Universidade Eduardo Mondlane, Série: Letras e Ciências Sociais

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