A Africatização das consoantes labiais vozeadas /b, v/ no Changana
uma evidência do Princípio de Contorno Obrigatório no Bantu
DOI:
https://doi.org/10.70778/9syrpg27Palavras-chave:
Africatização, consoante labiais, Changana, Princípio de Contorno ObrigatórioResumo
À luz da teoria de fonologia autossegmental (Leben, 1973; 2006; 2011; Goldsmith, 1976; 2004; Odden, 1986) e da geometria de traços (Clements e Hume, 1995), este artigo analisa e descreve a africatização das consoantes labiais vozeadas no Changana como resultado do Princípio de Contorno Obrigatório (PCO). Descreve os processos fonológicos que culminam com a transformação destes sons labiais em africada lábio-alveolar [bz] durante os processos derivacionais de diminutivização e locativização de nomes. Nestes contextos, as vogais arredondadas em posição final de palavra e as vogais iniciais dos sufixos derivativos, (/a/) do sufixo diminutivo e a vogal inicial do sufixo locativo formam hiatos, pondo em causa o PCO que proíbe a adjacência de segmentos com traços idênticos. A resolução destes hiatos resulta na transformação das vogais arredondadas em posição final de palavras em semivogal lábio-velar. Através da propagação e assimilação de traços, esta lábio-velar altera as consoantes labiais vozeadas que constituem ataques da sílaba final da palavra, transformando-as em africada lábio-alveolar [bz]. Estes processos são uma prova da eficácia do PCO, o que contraria as tentativas de sua refutação (ODDEN, 1986) que motivaram o presente estudo. Os dados foram colhidos através do método filológico combinado com a introspecção entrevistas a 3 falantes nativos de três variantes do Changana, respectivamente, residentes no Distrito de Manjacaze.
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