Construções aplicativas em Kimwani uma abordagem formal

Conteúdo do artigo principal

Ana Clara Passoni Moraes
Fábio Bonfim Duarte
Paulina Praxedes

Resumo


Este trabalho apresenta uma análise formal sobre as construções aplicativas em Kimwani (G45), que são realizadas pelo morfema {-ir-} e seus alomorfes. Esta análise tem como justificativa o fato de que essa língua é pouco documentada e também por haver ainda poucos estudos que investigam o comportamento do objeto aplicado e do objeto direto nas construções aplicativas. Nesse sentido, visamos averiguar se Kimwani é uma língua de objetos simétricos ou assimétricos. Tendo em vista essa assunção, o presente artigo busca efetuar uma análise descritiva e teórica sobre o fenômeno. Ancoramos nossa análise nos pressupostos teóricos da Sintaxe Gerativa, em sua versão mais recente, o Programa Minimalista, e também em trabalhos que discorrem acerca da propriedade gramatical da extensão verbal aplicativa em diferentes línguas bantu. Apresentamos uma descrição de contextos em que verbos meteorológicos, inacusativos, inergativos e transitivos biargumentais podem ser aplicativizados. Propomos que as construções aplicativas possuem um comportamento assimétrico, considerando que apenas o objeto aplicado engatilha a marca de objeto no verbo e pode ser apassivizado. A proposta é a de que o núcleo fásico Applº não abre uma posição extra de especificador para permitir que o objeto direto escape do VP, antes que ele seja enviado a Spell-Out. Assim, apenas o objeto aplicado pode ser alçado para Spec-IP nas construções passivas e pode engatilhar a marcação de objeto no verbo.



 

Downloads

Download data is not yet available.

Detalhes do artigo

Secção

Artigos

Como Citar

Construções aplicativas em Kimwani: uma abordagem formal. (2025). Revista Científica Da Universidade Eduardo Mondlane, Série: Letras E Ciências Sociais, 5(2). https://doi.org/10.70778/hbq32b48

Referências

CAMARGOS, Q. F.; DUARTE, F. B.; NGUNGA, A. S. A.. Differential object marking in Mozambican languages. In: PAYNE, D. L.; PACCHIAROTTI, S.; BOSIRE, M. (eds.). Diversity in African languages. Berlim: Language Science Press, 2016, p. 333-354. DOI: 10.17169/langsci.b121.489.

CAROLINO, C. P. L. D. O comportamento dos objetos pós-verbais em construções aplicativas do Changana. 2023. 160f. Dissertação (Mestrado em Linguística Teórica e Descritiva) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, 2023. Disponível em: . Acesso em: 17 nov. 2023.

CHIMBUTANE, F. Grammatical Function in Changana: Types, Properties and Function Alternation. 2002. 338f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – The Australian National University. 2002.

CHOMSKY, N. The Minimalist Program. Cambridge: MIT Press, 1995.

CHOMSKY, N. Minimalist inquiries: the framework. In: MICHAELS, R. M. D.; URIAGEREKA, J.; KEYSER, S. J. (eds.). Step by Step: Essays on Minimalist Syntax in Honor of Howard Lasnik. Cambridge: MIT Press, 2000, p. 89-155.

CHOMSKY, N. Derivation by Phase. In: KENSTOWICZ, M. (ed.). Ken Hale: A Life in Language. Cambridge: MIT Press, 2001, p. 1-52.

CHOMSKY, N. Chomsky’s linguistics. In: GRAFF, P.; URIK, C. van. (eds.). MIT Working Papers in Linguistics. Cambridge: MIT Press, 2012.

DUARTE, F. B.; PAULA, R. R. de. Diversidade linguística em Moçambique, p. 343-362. In: LEITE, I. B.; SEVERO, C. G. (eds.). Kadila: Culturas e Ambientes – Diálogos Brasil-Angola. São Paulo: Blucher, 2016. DOI: 10.5151/9788580392111-19

DUARTE, F. B.. Marcação Diferencial do Objeto em Bantu e em Tupí-Guarani. Revista Eletrônica Língua Viva, v. 4, n. 1, p. 22-40, 2014. Disponível em: https://periodicos.unir.br/index.php/linguaviva/article/view/1016. Acesso em: 10 jul. 2023.

DUARTE, F. B. Tense Encoding, Agreement Patterns, Definiteness and Relativization Strategies in Changana. In: BOKAMBA, E. G.; SHOSTED, R. K.; AYALEW, B. T. (eds.). Selected Proceedings of the 40th Annual Conference on African Linguistics. Somerville: Cascadilla Proceedings Project, 2011, p. 80-94.

HYMAN, L.M. Suffix ordering in Bantu: a morphocentric approach. Yearbook of Morphology 2003, 245-281.

INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA. Dados Definitivos do IV Recenseamento Geral da População e Habitação, 2017. Línguas. INE: Maputo, 2017. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2024.

MCHOMBO, S. The Syntax of Chichewa. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.

MCGINNIS, M. Variation in the phase structure of applicatives. Linguistic variation yearbook, v. 1, n. 1, p. 105-146, 2001.

NELIMO. Primeiro seminário sobre a padronização da ortografia das Línguas Moçambicanas. Maputo: Escolar, 1989.

PYLKKÄNEN, L. Introducing Arguments. Cambridge: MIT Press, 2008.

RADFORD, A. Minimalist Syntax: Exploring the Structure of English. Cambridge: University Press, 2004.

SALIMO, C. Descrição e Análise Sintática de Extensões Verbais em Kimwani, uma Língua Bantu Falada em Moçambique. 2021. 249f. Tese (Doutorado em Linguística) – Centro de Comunicação e Expressão, Universidade Federal de Santa Catarina, 2021.

SALIMO, C.; MARTINS, M. A. R. Marcação Diferencial do Objeto direto (DOM) em Kimwani, uma Língua Bantu. Revista Investigações, Recife, v. 33, n. 2, p. 1-21, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/INV/article/view/241749. Acesso em: 10 jul. 2023.